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Cirurgia plástica nos olhos dos japoneses

O termo é controverso, mas a “ocidentalização” dos olhos dos orientais, feita após cirurgia plástica, muitas vezes nem é percebida por quem não é de origem japonesa, chinesa ou coreana. “Quem é ocidental quase não nota a diferença, mas quem é oriental de cara já percebe”, diz a psicóloga Laís Matsumoto, de 29 anos, que fez a cirurgia de ocidentalização dos olhos quando tinha 15 anos. A decisão veio depois que a própria mãe, amigas e primas já tinham passado pelo mesmo procedimento cirúrgico. “Fiz porque achei que ficava mais bonito”, diz.
Os olhos dos orientais não são puxados, mas sim mais lisos do que os dos ocidentais, que têm uma curvatura. A diferença está na altura de sulco que fica acima dos cílios. Em um indivíduo ocidental essa “dobrinha” mede de 10 a 16 milímetros. Em metade dos orientais, o sulco tem entre 5 e 8 milímetros e a outra metade nasce sem essa parte. Para a cirurgiã plástica Edith Horibe, que foi premiada por pesquisas sobre a anatomia e cirurgia em orientais, nessas pessoas os cílios ficam virados para baixo e em muitas vezes acabam entrando nos olhos, causando até úlcera de córnea. “Muitos adolescentes hoje ganham a cirurgia como presente de 15 anos”, afirma. 

As pálpebras mais fechadas, típicas dos orientais, têm origem genética e está relacionada ao clima que predominava na Ásia há milhares de anos. De acordo com a teoria do britânico Charles Darwin, “o ambiente é a causa das modificações que acontecem nos seres vivos”. Por conta disso, os orientais teriam desenvolvido esses traços para se adaptar ao frio e se proteger da luz solar que reflete na neve branca e pode causar problemas de visão. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, José Tariki, a intervenção não descaracteriza a raça. “Metade dos orientais têm a ‘dobrinha’. A cirurgia não descaracteriza os que não têm”, afirma. 

Segundos dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, 2% de todas as cirurgias plásticas feitas no Brasil são de pálpebras. A intervenção dura cerca de uma hora e consiste em uma incisão com anestesia local, a retirada de pele, um pouco de músculo, gordura e sutura. “Os olhos ficam maiores, sem o aspecto ‘inchado’ e os cílios se voltam para cima”, conta a médica. Outras cirurgias procuradas pelos orientais são as de mamas, glúteo e nariz.